Partido Socialista Federação do Baixo Alentejo
XIV Congresso - Aljustrel
24 de Outubro de 2010
Índice
Prefácio
0 - Intróito
I – A base ideológica
I.I - A Democracia em Construção
I.II - O Socialismo
I.III - O Estado Social
II – O Partido
II.I - Um Partido Forte e Coeso
II.II - Reforçar a Participação e a Formação Politica
II.III - Um Partido Participativo, Comunicador e Aberto à Sociedade Civil
III – O Território
III.I - A Marca dos Grandes Projectos
III.II - Os Grandes Desafios
III.III - Os Actores
IV – Do Desígnio
Prefácio
Como escreveu, Aristóteles, “O objecto principal da política é criar a amizade entre os membros da Cidade”.
Por isso é que, no momento em que me proponho cumprir um último mandato como Presidente da Federação, entendi ser meu dever começar a permitir uma transição tranquila, participada e envolvente, que garanta a camaradagem e unidade do Partido Socialista do Baixo-Alentejo.
Assim, decidi não ter um papel activo na elaboração da plataforma programática – a presente Moção de Orientação Política – que vai ser discutida e aprovada no Congresso, mas, sim, entregar a uma Comissão de Redacção esse encargo, com o compromisso de envolver nele todos os socialistas que o desejassem, sem excepções.
Não faz qualquer sentido o desenvolvimento de divisões, na maior parte das vezes meramente pessoais e artificiais, entre os membros do Partido. Tanto quanto possível, estes que têm de estar todos unidos sob o mesmo ideário. Aliás, a experiência dos últimos anos, a que conseguimos dar corpo – com mérito geral, de todos, sublinho – numa forte expressão pública da nossa unidade, geradora de confiança e fiabilidade junto da população, teve a consequência de se alcançarem os melhores resultados políticos de sempre. Em política, no combate eleitoral, a chave do sucesso está, em grande medida, na confiança que se possa transmitir.
A elaboração da Moção, do modo como foi feita, pretende, pois, abrir a porta à emergência de novas ideias, propostas, ambições e, enfim, o Desígnio, que case o presente com o futuro do PS do Baixo-Alentejo.
É pela capacidade de gerar ideias e pela capacidade de protagonizar programas políticos que vamos lá, não por qualquer fulanismo ou demagogia sem conteúdos.
Não é que a transição da liderança se abra já. Isso seria um gravíssimo erro. Não é o tempo.
Temos de viver o mandato, que ainda se inicia, com a tranquilidade e a unidade que permitam ao Partido desenvolver, sem escolhos, a sua acção de afirmação e os combates políticos, envolvendo todos.
Depois do mandato que se vai iniciar e desenvolver, só para o mandato a seguir essa questão se porá e, aí, certamente que todos estaremos à altura – e com a forte obrigação - de encontrar as melhores soluções, para a unidade e não divisão do Partido, para avançar politicamente para o futuro e não regredir ao passado, para cumprir, na inquestionável liberdade, e com escrúpulo democrático, todos os passos do processo político.
Portanto, tal como, na Grécia antiga, indicou, Aristóteles, é nosso dever saber encontrar soluções políticas partilhadas, pacifica e fraternalmente, entre os membros da nossa Cidade, que, no caso, é o Partido Socialista.
Luís A. Pita Ameixa
0 - Intróito
A moção global de orientação politica para a Federação do Partido Socialista do Baixo Alentejo, “Cimentar o Futuro” é um documento que se abre em quatro partes distintas mas cooperantes.
A parte correspondente à “Base Ideológica” não pretende apenas reafirmar a matriz democrática de esquerda do PS mas também propor a difusão da sua memória regional e propor a reflexão sobre novas ferramentas de apoio às comunidades em todo o território, nomeadamente nos territórios de baixa densidade populacional, no sentido de marcar a presença do Estado em todo a região de forma equitativa.
A parte correspondente ao “Partido” pretende apontar as bases organizacionais no reforço do PS a nível regional, centrando sobre a definição de processos de recepção ao novo militante e sobre a organização de evento anual de formação, os aspectos fundamentais de melhoria na participação interna. Do ponto de vista externo a abertura à sociedade civil e o reforço da capacidade de comunicação continuam a merecer uma especial atenção.
A parte correspondente ao “Território” procura, sob a marca dos projectos estruturantes, convocar o território e os seus actores para uma construção da região com base na inovação, na fixação de massa crítica e na participação democrática das instituições.
A parte final, “o desígnio”, pretende ser um espaço de persistência por um ideal tal como foi o processo de construção desta moção. Um apelo à participação de todos na construção daquilo que é de todos e para todos. Se estes processos são demorados, difíceis e geradores de desconfiança não deixam, por outro lado, de ser os caminhos correctos que queremos trilhar.
I - A Base Ideológica
I.I - A Democracia em Construção
Talvez seja incorrecto politicamente, questionar a Democracia. Seja. Mas é necessário começar por aqui, porque é de escassez de participação e responsabilidade Democrática, que se fundamentam as crises que vivemos.
A Democracia, na sua simplicidade de concepção, é “um osso duro de roer”, pelas exigências que transporta quando se quer praticar e desenvolver. Pelo seu idealismo realizável, é uma via difícil, exigente e complexa, para todos que a afirmam como Objectivo Político, Económico e Social. Constitui um Programa Político de longo prazo!
Diremos que, enquanto Objectivo Programático, é a ambição de todos os Progressistas e nos tempos actuais, de crise de valores, tem que ser a Democracia o tónico a ser prosseguido e assumido com determinação e persistência.
Mobilizemo-nos então para a Democracia, nunca esquecendo que, para além da Democracia Representativa que nos chama a Eleições de tempos a tempos e que ainda necessita de um processo de amadurecimento, somos interpelados a exercer no dia-a-dia os nossos deveres e direitos como Cidadãos Activos, intervindo, propondo e reclamando, praticando a, ainda mais difícil, Democracia Participativa.
I.II - O Socialismo
O Partido Socialista é a organização política em Portugal que representa os valores do socialismo democrático, defende uma sociedade aberta, pluralista, laica, solidária, com uma justiça social equitativa, com um forte sentido de coesão social, de livre iniciativa, progressista, moderna, cosmopolita e plenamente europeia.
O Partido Socialista, fiel à sua matriz e à sua história, tem na liberdade o seu valor mais elevado, foi em seu nome que sempre lutou pela dignidade humana, contra a repressão das ideias e a exploração do homem pelo homem.
A liberdade em toda a sua dimensão, e igual para todos, garantida pela lei que protege os cidadãos nos seus plenos direitos. Sem lei, e sem igualdade perante a lei, a liberdade seria apenas o reino do mais forte.
Mas não é só a igualdade jurídica que é uma condição da liberdade, também a igualdade social, nomeadamente, no acesso à educação, saúde, protecção legal, segurança, bem como a garantia das condições e remunerações do trabalho, das prestações sociais na velhice ou invalidez, da cultura e lazer, da participação social e política.
A liberdade é incompatível com a desigualdade, na medida em que, quando as diferenças sociais ultrapassam certos limites a liberdade fica em perigo pois só quando há um determinado conjunto de recursos disponíveis para todos é que podemos considerar estar perante verdadeiros cidadãos livres.
Aquilo que caracteriza o Partido Socialista como partido da esquerda democrática é esta relação entre liberdade e igualdade, muito diferente dos outros partidos de esquerda comunista ou radical (que secundarizam a componente da liberdade) e dos partidos de centro-direita e direita (que secundarizam a componente da igualdade). Mas ao mesmo tempo que o Partido Socialista defende direitos iguais e igualdade de oportunidades para todos, também considera que os seres humanos são todos diferentes uns dos outros, e nesse sentido, numa sociedade democrática, tolerante e livre, devem ocorrer essas desigualdades legítimas, através da criatividade, do esforço, da iniciativa, do mérito e do talento de cada um.
O Partido Socialista é, por esta razão, o partido da tolerância e da não – discriminação, e, foram por estes valores que, ao longo dos anos, os diferentes dirigentes federativos, de concelhia e de secção lutaram para que as suas comunidades os reconhecessem. Muitas foram as vezes em que as dificuldades, inerentes ao despotismo e violência da força política outrora dominante, quase levaram á desistência destes homens e mulheres mas, não sendo a desistência uma característica dos socialistas, venceram pela força dos argumentos e é essa luta histórica que temos que ser capazes de trazer para a luz do dia e dissemina-la para que não sejam esquecidos muitos dos “colonizadores” regionais da Democracia.
I.III - O Estado Social
O Partido Socialista defende o Estado-Providência como uma conquista civilizacional, essencial para a cidadania democrática e para o bem-estar social. Não partilhamos da ideia de privatizar as funções sociais básicas do Estado, nomeadamente, nas áreas da justiça, da segurança social, da saúde e da educação. Defendemos o Estado Social com uma política de serviços públicos de elevada qualidade nos domínios fundamentais da vida colectiva.
Num contexto de grande pressão sobre o papel do Estado tendo em conta a emergência de perspectivas neo-liberais onde se pretende reduzir o Estado a um mero órgão regularizador e fiscalizador, importa pois, quer a nível global quer a nível local, colocar o Partido Socialista como actor fundamental na necessária e urgente reflexão sobre quais são as ferramentas a colocar no terreno no apoio às pessoas.
Muitos foram os meios de comunicação (estradas, internet, telefone fixo e móvel, televisão, jornais e rádio) colocados ao dispor das populações que vieram aproximar as pessoas umas das outras e dos diferentes serviços públicos que, progressivamente, se foram retirando dos territórios de mais baixas densidades populacionais. Mas será que esse atenuar “artificial” das distâncias físicas é suficiente para garantir o ideal socialista na defesa do Estado Social?
Julgamos que não! E, como tal, pensamos que o nosso Estado democrático, quer central, quer local ou regional, exige reformas no sentido de lhe conferir uma visão estratégica, de o agilizar, de o modernizar, de o democratizar e de o autonomizar numa nova relação em parceria com as organizações privadas da sociedade civil. Estas reformas devem assentar no acordo em partilhas de responsabilidades na concepção e execução de ferramentas de proximidade dos serviços públicos básicos às populações. Este é o desígnio do Estado Social assente no princípio da subsidiariedade.
II - O Partido
II.I - Um Partido Forte e Coeso
A capacidade que o Partido Socialista do Baixo Alentejo demonstrou, nos últimos anos, de se manter unido e coeso, em torno de uma liderança conciliadora, permanentemente preocupada com o envolvimento dos militantes de diferentes sensibilidades na vida do partido, produziu as condições de estabilidade interna necessárias à obtenção de bons resultados eleitorais.
O Partido Socialista será tanto mais forte e mobilizador quanto maior for a sua capacidade de, reconhecendo e respeitando as diferenças internas, promover a unidade na acção.
A garantia de múltiplos espaços de debate internos, de expressão livre e democrática, a par do funcionamento dos órgãos partidários, segundo as regras estatutário, cumprindo os seus programas e calendários, será decisivo para alicerçar um projecto político abrangente e integrador.
Um partido forte exige uma cultura de qualidade e rigor ao nível da sua estrutura administrativa e de organização. Ao contrário de outros partidos adversários, no Partido Socialista, o voluntariado é a base do exercício dos cargos dirigentes.
Este carácter voluntário não deve ser um obstáculo à ambição de, em todas as estruturas do partido, sermos exigentes na operacionalização dos processos organizativos.
Nesta perspectiva e reconhecendo-se o papel das estruturas de base do partido (Secções e Concelhias) na acção mobilizadora dos militantes e apoiantes, deve a Federação constituir uma equipa de trabalho que coordene e dê apoio a estas estruturas, como forma de aumentar a eficácia da sua actuação e melhorar a circulação da informação política interna, no estrito respeito das autonomias consagradas estatutariamente.
O Partido Socialista assume-se como o partido com maior implantação no Baixo Alentejo. Para além de reunir, nos diferentes actos eleitorais (autárquicas, legislativas ou europeias), os resultados eleitorais mais expressivos, é também, o que ao nível da constituição de listas, consegue mobilizar mais pessoas e, o único, a fazer-se representar de forma equitativa em todo o território.
Dispomos, pois, de uma base eleitoral que, maioritariamente, se revê e confia no Partido Socialista. Temos na nossa região condições propícias para aumentar o número de militantes. É imperativo que as diferentes estruturas, a partir do conhecimento concreto da realidade, desenvolvam estratégias de mobilização dos melhores valores dos diferentes sectores da sociedade e, garantam, de forma sustentada, o crescimento e renovação do partido.
II.II Reforçar a Participação e a Formação Política
O reforço do envolvimento e da participação dos jovens deve constituir uma via privilegiada de renovação e qualificação do partido. O último congresso assumiu-se como um marco na reactivação da dinâmica organizativa da Juventude Socialista do Baixo Alentejo.
A Federação do Baixo Alentejo da Juventude Socialista encontra-se, neste momento, a funcionar em pleno, com os órgãos eleitos, uma moção estratégica aprovada e uma acção que tem sido responsável pela reabertura de diversas secções concelhias.
A Juventude Socialista tem um papel importante a desempenhar na mobilização de novas ideias e novas áreas de interesse para o partido. Tem também uma missão importante na captação e preparação das novas gerações para a militância partidária. A Federação reconhece o mérito desta acção e continuará a cooperar activamente com a Juventude Socialista na sua prossecução.
A participação, em condições de igualdade, de mulheres e homens nos processos de tomada de decisão, é condição indispensável ao exercício de uma cidadania plena e factor determinante da qualidade da democracia.
A Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista revê-se na exigência de paridade de género na constituição dos órgãos partidários. Trata-se de uma norma que deve merecer inteiro apoio e responsabilizar-nos, em cooperação com o Departamento das Mulheres Socialistas, para a criação de condições objectivas para a sua cabal observância.
A formação política dos militantes e simpatizantes (que habitualmente integram as listas do Partido Socialista) deverá ser um desígnio reforçado desta Federação. Em parceria externa com a Fundação ‘Res Publica’ ou com outras estruturas próprias do Partido, serão organizadas acções de formação que respondam às necessidades e solicitações das diferentes estruturas territoriais ou sectoriais.
Em articulação com a Federação da Juventude Socialista, lançaremos a organização de uma Universidade de Verão, que propicie a formação de quadros e a discussão em torno de temáticas fundamentais, propondo o envolvimento da JS e do PS a nível nacional.
Queremos igualmente qualificar o acolhimento dos novos militantes, através da implementação de um programa que deve ser adoptado em todas as estruturas.
II.III - Um Partido Participativo, Comunicador e Aberto à Sociedade Civil
A abertura a todos quantos queiram participar na vida cívica e política e dar contributos para a valorização das políticas públicas, tem sido e continuará a ser uma marca indelével da nossa forma de estar, porquanto se reconhece que o programa do Partido Socialista será tanto mais rico e relevante quanto maior for a sua capacidade de dialogar e interagir com distintas perspectivas.
A experiência do Fórum Novas Fronteiras e outros similares, organizados a nível distrital ou concelhio, ou a mobilização de muitas personalidades independentes para integrarem as listas do Partido Socialista, são práticas que atestam bem a postura de abertura e de diálogo que nos caracteriza e que devem ser prosseguidas e aprofundadas.
Ao mesmo tempo, é importante que o Partido Socialista, através de contactos de diversa natureza, mantenha uma ligação estreita com as diversas estruturas da sociedade baixo alentejana e que seja capaz de encontrar formas de acolher e dar expressão a muitas das aspirações que se coadunam com os interesses de desenvolvimento da região. Desta forma deverão os militantes e simpatizantes serem activos nas diversas Organizações sociais, económicas e culturais da região.
Toda e qualquer acção política passa sempre pela comunicação. É preciso comunicar e dar a conhecer o projecto que defendemos. O trabalho que é feito no dia-a-dia, por muito mérito e qualidade que tenha, pode não ser suficiente para alcançar os objectivos políticos a que nos propomos, se não for acompanhado de um bom processo de comunicação. Comunicar bem, dentro e fora do partido, é crucial.
Desde logo, a nível interno, é importante garantir bons níveis de articulação no trabalho desenvolvido pela Federação e respectivos departamentos, pelos Deputados, pelas Concelhias e Secções e pelos Autarcas do PS. Para além dos tradicionais encontros ou reuniões temáticas, que continuarão a ocupar um lugar insubstituível na vida do Partido, as novas tecnologias de informação e comunicação facilitam grandemente este objectivo e devemos usá-las em todas as suas potencialidades. O ‘site’ da Federação constitui hoje uma janela de comunicação sobre o trabalho desenvolvido por esta estrutura, aberta aos militantes e aos cidadãos. Devemos criar condições para aperfeiçoar, cada vez mais, a produção e distribuição por via electrónica de informação de suporte à intervenção política dos militantes e à tomada de posições políticas de interesse para a região.
A nível externo, precisamos melhorar de forma consistente os mecanismos de ligação à sociedade, designadamente: alargamento e actualização permanente das bases de dados que permitem o contacto directo com os cidadãos; realização de campanhas de divulgação das páginas da internet da Federação e das demais estruturas do PS; divulgação de iniciativas legislativas e medidas governamentais relevantes; organização de ciclos de debate abertos aos líderes de opinião e demais cidadãos interessados; presença alargada nos conteúdos dos meios de comunicação social.
III - O Território
III.I - A Marca dos Grandes Projectos
Em respeito pela verdade importa dizer que o Partido Socialista, enquanto Governo de Portugal, concretizou os grandes projectos estruturantes do Baixo Alentejo. O Alqueva e o seu perímetro de rega, o Aeroporto de Beja, o IP8 e o Complexo Portuário de Sines são hoje uma realidade insofismável.
Existindo tempos e espaços para a humildade politica também existem tempos e espaços para vincar as vitórias de lutas travadas, e, esta nova realidade do Baixo Alentejo é, sem sombra de dúvidas, em boa medida, uma vitória da acção do Partido Socialista do Baixo Alentejo em prol do desenvolvimento da sua região.
Se numa primeira fase importou reivindicar a construção destas obras, hoje importa olhar para a sua marca no território, interpretar a complexidade dos seus impactos bem como planear/perspectivar as oportunidades que se abrem com o seu funcionamento.
Desde logo a evidência de uma nova geografia relacional interna. O Baixo Alentejo, com estes projectos, assume novas/velhas fronteiras na medida em que os concelhos do Distrito de Setúbal do Baixo Alentejo e os concelhos do Distrito de Beja reforçam claramente novas pontes de interdependência. A mobilidade interna, o relacionamento entre equipamentos, a organização e impacto das estruturas urbanas e as relações e usos dos espaços rurais não voltarão a ser os mesmos com os projectos estruturantes em pleno funcionamento, pelo que se deve ter uma visão de intervenção e desenvolvimento da globalidade do território do Baixo Alentejo.
Por outro lado, este novo/velho Baixo Alentejo assume as suas fronteiras de relacionamento externo tendo em conta que as oportunidades estão associadas à sua fronteira Oeste com o mar, aberto ao mundo por via do complexo portuário de Sines, a Norte e a Sul emerge um novo relacionamento com a área metropolitana de Lisboa e com o Algarve, respectivamente, e, na sua fronteira Este abrem-se novas oportunidades de relacionamento com Espanha e com a Europa.
A criação de um novo quadro de oportunidades de coesão de um território que parecia condenado a fazer trajectos diversos é a marca mais evidente dos grandes projectos estruturantes do Baixo Alentejo.
III.II - Os Grandes Desafios
É neste novo quadro que o Partido Socialista do Baixo Alentejo tem que encontrar o espaço de antecipação e afirmação do futuro, mobilizando o território e os seus actores para que em conjunto se construam as realidades que advêm das oportunidades criadas.
Desde logo assumir o reforço e o aprofundamento das relações com a Federação do Partido Socialista de Setúbal no sentido de serem criadas as condições políticas de afirmação de uma estratégia de actuação conjunta.
Garantida essa coesão importa construir a liderança da agenda política na promoção da reflexão e discussão sobre os novos desafios associados aos projectos estruturantes, assumindo, sem receios de interpretações fúteis, o papel fundamental dos partidos políticos na dinamização da sociedade civil para o desígnio do desenvolvimento colectivo.
De resto, esta postura só pode contribuir para o reforço da democracia na medida em que os partidos devem valer muito mais para a sociedade do que a mera luta pelo poder e o seu exercício.
Neste contexto o Partido Socialista do Baixo Alentejo centrará esforços e dinâmica de concertação entre actores no pugnar pela construção de um ambiente favorável à densificação do tecido empresarial da região, onde, necessariamente, as empresas têm que ter um papel determinante na potenciação e apropriação territorial das externalidades positivas e das oportunidades geradas pelos projectos estruturantes.
Esta densificação, necessariamente associada a uma perspectiva quantitativa (diferencial positivo no número de empresas da região), deve centrar-se na perspectiva qualitativa onde a introdução de factores de inovação e a implicação de recursos humanos altamente qualificados deve ser o desígnio dessa postura mobilizadora. Mais que uma postura é uma obrigação ética política contribuir para a fixação de recursos qualificados e elevar os índices tecnológicos do território.
Nesta perspectiva de densificação qualitativa do tecido empresarial da região deve estar subjacente uma perspectiva de captação de novos habitantes/investidores mas também a necessidade de criar um clima de promoção regional do empreendedorismo onde a ligação umbilical entre a escola, a universidade e a empresa é (deve ser) o centro de um novo paradigma do empresário Alentejano, entendidos na globalidade do Território.
Sobre esta questão não poderemos ter hesitações, o Partido Socialista do Baixo Alentejo tem que marcar claramente o espaço de construção do novo Baixo Alentejo.
As temáticas associadas à Educação, Ordenamento e Usos do Território, e a Mobilidade/Comunicação em Baixas Densidades, são as ferramentas que podem levar o impacto dos grandes projectos a todo o território, sem excepção, e que podem contribuir claramente para potenciar as externalidades positivas dos projectos criando uma nova imagem de um Baixo Alentejo competitivo, atractivo e contemporâneo.
A realidade do Baixo-Alentejo deverá ainda estribar-se numa afirmação pela cultura, que defendendo os valores tradicionais não deixe de perspectivar a criação moderna através dos agentes culturais e instituições suportadas na região.
Neste contexto importa construir um quadro permanente de debate e de comunicação de opinião pública sobre os melhores processos de articulação e de construção estratégica entre actores e entre projectos económicos, sociais e culturais.
III.III - Os Actores
No quadro de um novo Baixo Alentejo as autarquias são, individualmente, o garante da transposição do regional para o local das oportunidades de desenvolvimento mas também são o garante da capacidade de interpretação para o local da expressão política regional, é, assim, imperativo e incontornável reforçar as bases para a consolidação do Partido Socialista na gestão de uma maioria clara dos Municípios e Freguesias do Baixo Alentejo.
A capacidade política de construir uma sustentabilidade que garanta a possibilidade de impregnar os Baixo Alentejanos de um forte sentimento de pertença relativamente ao seu território passa claramente por uma acção duradoira de políticas regionais coerentes, crescentes e mobilizadoras e isso consegue-se com estabilidade política autárquica no contexto individual mas, fundamentalmente, no contexto do associativismo autárquico, não sendo de somenos importância a capacidade de intervenção e a capacidade de afirmação política da estrutura associativa autárquica que representa todo o Baixo Alentejo, a Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral (AMBAAL).
Este, AMBAAL, é o actor chave que poderá, com a sua acção, corporizar, dinamizar e implementar um conjunto de políticas e projectos que se constituam como a matéria ligante de todo o território. Assim, é no contexto da AMBAAL que o Partido Socialista do Baixo Alentejo tem que ser capaz de, independentemente da sua liderança contextual, através dos seus autarcas, criar as condições de democracia interna capazes de credibilizar a instituição e de a tornar numa verdadeira ferramenta ao serviço da região.
Por outro lado, importa mobilizar para que os actores da sociedade civil, se possível, também se organizem e se estruturem numa perspectiva do Baixo Alentejo garantido uma representação de todos os sectores na construção da coesão territorial e na responsabilização de todos pelos processos que a todos dizem respeito, o que deverá passar por equacionar a constituição da “ Agência de Desenvolvimento do Baixo Alentejo”, que assente a sua acção na Rede das organizações locais, das autarquias e suas associações, de entidades privadas e públicas, das escolas, particularmente do ensino superior, e das entidades de desenvolvimento local activas na região.
IV - Do Desígnio
Hoje confrontam-se posturas de sinal optimista e derrotista, que simplificam os cenários que temos pela frente. De facto, entre estas posturas há muitos tons de cinzento. Olhemos o assunto!
Sendo a crise profunda e duradoura, que nos pode desanimar, é possível e necessária uma análise prospectiva e postura positivista tendo em conta que a crise também pode, e é, um espaço de oportunidades reformistas e progressistas.
Se o subestimar das dificuldades e perigos que vivemos, é um grave erro, não menos é cairmos em posturas derrotistas que nos levariam a ser meros espectadores da queda para o precipício. Com realismo e postura optimista, que erradica os derrotismos, somos chamados a ter a coragem de, partindo de duras situações, provocar gentes activas e confiantes para construírem um “Novo Mundo”.
“Pensar global e agir local” parte de um princípio de atenção sobre o que nos rodeia e culmina na capacidade de, relativamente a esses estímulos globais, agirmos sobre a nossa realidade mais próxima. Nada nos mobiliza mais do que a defesa urgente da nossa realidade mais próxima, mas, para que isso aconteça precisamos claramente de conseguir identificar o que é nosso no caos e/ou massificação do global.
Momentos existem em que o que sentimos como nosso se dilui no global, ou porque perdeu características próprias que só nós identificávamos como nossas ou porque a atractividade do global reduziu a relevância daquilo que era diferente por ser nosso.
Hoje, o momento, é a oportunidade única, que todos temos, de construirmos o Baixo Alentejo, de construirmos um território em torno de uns quantos projectos estruturantes que precisam de identidade e de se ligarem a um território, de viverem dele, enfim, de assumirem o rosto das pessoas do território onde foram construídos.
Este é o momento para “cimentar o futuro” numa perspectiva em que temos de ver onde os outros ainda não viram e de fazer como os outros nunca fizeram. Com todos!
É neste momento que o Partido Socialista do Baixo Alentejo tem que ser o partido que nunca outro partido foi. Tem que ser o garante de que o território, pelo qual luta, não baixa a guarda, que pensa, que discute que cria, que se transforma, que se supera.
Realismo e determinação exigem-se!
Primeiro Subscritor:
Luís A. Pita Ameixa
Militante nº 7461